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Estava como um espaço restrito cujos parcos conteúdos batiam em seu teto enquanto caminhava. Cores escassas, auto-imagem redonda e simpática, destituída de garras, alimentada em cativeiro. Medo de dominação, agressividade contida. Queria dizer algo em inglês para se sentir bem consigo mesmo. Era uma forma da mediocridade ser legitimada.

Um mosaico elegia os termos certos de seu caleidoscópio azul. A meta era dissipar toda e qualquer melancolia, até que só restasse as saudades de dias serenos e mais nada.

Medo de que lhe tirassem tudo. Avareza? A solidão parecia-lhe uma cama confortável, mas a companhia começava a lhe parecer um leito menos pedregoso. Será que tudo terminaria bem?

Recusava-se a ter esperança. O dia de hoje era a beira de um precipício que ele, tecelão de verdades, tentava transpor com uma lã etérea sobre o amanhã, o precipício, ganhapão de videntes. Recusava-se a sentir-se bem com algo inexistente. Mal sabia ele que se fiava num pessimismo tão inseguro quanto o otimismo altaneiro daqueles que passam austeridade e segurança.

Queria o fim de todas as coisas e surgimento de uma nova luz, somente para ele. Apenas um ponto crescente. Criaria para esse ponto um nome incognoscível.

Não sabia viver, mas queria encontrar uma solução a curto prazo. Até surgir um plano melhor.

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