Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Abril, 2006

yasmin

Como eram lindos os céus de minha pátria particular. Fui silenciado pela nostalgia enquanto olhava pela janela a mesma paisagem, dessa vez coberta por um céu opressor. Bile arruinada cobrindo prédios acinzentados de Guadalupe.

Guadalupe, a Virgem mexicana encarnou no subúrbio, numa pequena clínica nascera Yasmin.

Yasmin de Guadalupe, tão orgânica quanto a novela das oito da qual sua mãe retirou-lhe o nome. A organicidade de certas pessoas, tal qual um sorvete que derrete ao cair na avenida, beira ao espetáculo de um dia só.

Sobreviverá aos modismos de pulseiras da atriz?

Será feliz apenas com os festejos e folguedos anuais de sua Terra brasilis?

Desejo que Yasmin não tenha consciência. Esse é o meu presente.
Estava como um espaço restrito cujos parcos conteúdos batiam em seu teto enquanto caminhava. Cores escassas, auto-imagem redonda e simpática, destituída de garras, alimentada em cativeiro. Medo de dominação, agressividade contida. Queria dizer algo em inglês para se sentir bem consigo mesmo. Era uma forma da mediocridade ser legitimada.

Um mosaico elegia os termos certos de seu caleidoscópio azul. A meta era dissipar toda e qualquer melancolia, até que só restasse as saudades de dias serenos e mais nada.

Medo de que lhe tirassem tudo. Avareza? A solidão parecia-lhe uma cama confortável, mas a companhia começava a lhe parecer um leito menos pedregoso. Será que tudo terminaria bem?

Recusava-se a ter esperança. O dia de hoje era a beira de um precipício que ele, tecelão de verdades, tentava transpor com uma lã etérea sobre o amanhã, o precipício, ganhapão de videntes. Recusava-se a sentir-se bem com algo inexistente. Mal sabia ele que se fiava num pessimismo tão inseguro quanto o otimismo a…