Pular para o conteúdo principal
pouco a pouco reavivava em sua mente seu cheiro, mas ainda era muito mental. Sua espada era o desejo, cortava qualquer adversidade. Não haverá justificativas para o que se deseja, pensou ele. E tornava a rememorar aquele perfume.

O chão límpido do aeroporto lembrava um futuro silencioso em algum lugar. Num hospital, talvez, encontraria o mesmo chão, os mesmos tons pastéis, e a mesma sensação de funcionar. Porque achava que a seta do desejo tinha de passar por vísceras tortuosas dentro de si para que fosse finalmente regurgitada. Tudo isso era funcionar. Quando a seta perfurava-lhe a vesícula no meio do caminho visceral, cuspia bile por quarenta dias e quarenta noites, amargo do próprio sabor das carnes internas, com a seta congestionando-lhe o trânsito intestinal.

Mas um dia haveria de funcionar. Sua delicada matemática ansiava por esse momento inconsistente. E há de ser com ela, pensou.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Como interpretar uma Revolução Solar?

No post anterior eu comecei a falar sobre o método de previsão mais popular da idade média e renascença: direções primárias + revolução Solar. Também lancei no ar uma frase não-tão-enigmática assim:
Na revolução, qualquer coisa que signifique o nativo deve estar em contato com qualquer coisa que signifique o evento Neste artigo, vamos decifrar a frase acima: você aprenderá a interpretar uma revolução solar de um modo minimamente decente pra você já fazer alguma previsão.

Para ter um entendimento satisfatório desse artigo, você precisa saber alguma coisa de astrologia: o que cada casa e planeta podem representar, o que são partes árabes, e o que são aspectos/conjunções. É um artigo para os já iniciados, mas você que está começando agora pode consultar outras fontes pra entender o que falo aqui - com a internet, não será difícil.

Como nascem os eventos? As aulas de astrologia horária que você anda fazendo com o tio William Lilly deveriam te levar a mais além de encontrar seu cachorro. E…

As Casas da Morte.

Quando se pensa em morte na Astrologia Moderna, após uma série de desculpas e desembaraços para se lidar com o tema, vem a nossa mente a Casa VIII. Na Astrologia Medieval, essa também é a Casa usada para a questão, porém existem mais duas que tem participação na delineação da morte: As Casas IV e VII. Como muitas coisas dos livros antigos, elas são citadas porém não são explicadas. Tal qual um rabino dedicado ao estudo do Torá, temos de buscar algum sentido para aquilo se quisermos "digerir" os aforismos. Caso contrário, estes passarão incompreensíveis ao nosso entendimento.

A Casa VII é o lugar onde os planetas se põem, e portanto guardam uma representação simbólica de morte. Autores gregos também consideram planetas na VII como representantes de eventos que acontecerão no fim da vida do nativo.

A Casa IV marca o fim de um ciclo, pois a partir dela o planeta volta a "subir" rumo ao Ascendente. Muitos autores usam a Casa IV para simbolizar as coisas que acontecem ao …