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geometria analítica

Andando na calçada estreita seu pensamento entorpecia a sensação de andar. Quando se deparava, percebia que caminhara léguas. Milimetricamente, com a mesma precisão neurótica dos desenhos que esboçava, e da arrumação metódica dos artigos que imprimia em ordem temporal, da grécia clássica, passando da idade média ao contemporâneo, perguntava-se sobre o mesmo esquadro, se este o possibilitaria medir o grau de felicidade, a hipotenusa dos sonhos e esperanças.

De repente visou no meio da rua crianças sorridentes; focalizou no entre os vapores da chuva (sim, chovia) sorrisos, olhos e roupas furadas, costuradas e possuindo estampas de deputados federais da eleição retrasada. Condoeu-se das caixas de balas. Viu-se criança pegando uma bala dessas na loja com ar condicionado; viu-se com uma roupa escolhida pela mãe; viu-se ansioso por chegar em casa. Viu-se com pena de tudo. A velha pena se encontrava lá, a espreita.

A fortitude de seu gesto em ignorar as crianças vendedoras não passava de fraqueza orientada. Tinha recebido exortações da analista a respeito dessa pena, ainda que a analista insistisse que não se trata de exortações, mas a lembrança do seu desejo fugidio que provocava a pena do mundo. E, num gesto de rememorar a cristandade ulterior, lembrou-se das palavras do apóstolo paulo: "quando estou fraco, aí é que estou forte."

Apenas tinha certeza de estar só.

Outros sentiriam a mesma pena, que por ser leve como pluma passaria com um suspiro. A respiração profunda é a grande panacéia da humanidade.

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