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Tinha de ser sempre assim, um ciclo de dor e luz, a iluminação das causas criadas, com o intuito de se traçar um caminho até algum abcesso moral e psicológico que nunca chegara.

Tinha de ser a dor, o lamento, a perda do que nem chegou a se conquistar, a lamúria, a menos valia, o rancor dos felizes, o ranger de dentes, o chicote sobre até o que lhe salva, para um dia surgir uma esperança de sair do front sem levar uma bala. Tímida, cambaleante menina que ganha um vestido de chita de natal.

Odeio ser assim sendo. E sigo torturosamente a agrura de se ver todos os dias de uma câmera. Observar, castigar, punir, inativar-se, tornar-se frio, seco, estéril e desprognosticado. Diminuir os movimentos de todas as moléculas de meu corpo, a ponto de chegar ao zero absoluto, e se os senhores de indagarem porque o escritor não irrompe o silêncio com uma bala da cabeça este dirá que somente a vida em seus anseios mais insondáveis insiste em pulsar. A vida, enquanto palavra descarnada se apega a alguma coisa. Seu músculo é atrofiado, e seu sangue ralo. Mas ela está lá.

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