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Ela

Ela veio de uma luz elétrica e vários pontos quadriculados formaram uma figura antes do piscar. Bela. Hesitei.

Num segundo a luz e o som se fundiram numa angústia do não-ter. Pronto, estava de novo naquela estrada que não leva a lugar algum, mas onde se pára em alguma margem para gozar. E o quanto desejou compartilhar desse gozo com essa figura, esse perfume digital que ressaltava das formas suaves e dissimuladas, pensou em quantos homens morreram e renasceram só de vislumbrar essa possibilidade. Quanto maior a multidão de homens sentia ao seu redor, mais muçulmano na meca se sentia, mas numa meca bizarra, a adorar uma deusa pagã, de mil bocetas e seios, uma imagem irrepresentável pelo escultor, o cheiro mais doce dos incensos desse mundo. E a vida sem ela agora não passava de bossa nova, menino de calças compradas no alfaiate vendo a bela dona rica passar.

Sua mão segurava o falo imaginado. A potência máxima a se oferecer para ser devorado em suas entranhas lubrificadas. Via uma face transtornada pelo orgasmo, e orgulhou-se de tirar o controle da deusa dominadora. A deusa com vulva de barro.

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