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Mostrando postagens de Dezembro, 2005

Square One

via-se dentro de uma névoa e era soldado medieval. Aqui era um herói de causas nobres e honradas.

Mas os fichas acabaram. E se dirigiu para a saída da LAN house. A luz forte do sol agrediu sua visão, e teve de visá-la com braço.

A cidade se descortinou a sua frente. Essa LAN possuía a vista mais bela, não fosse a sua solidão poderia compartihar dela com alguém.

Mal sabia ele que há um quilômetro de distância uma menina não tinha coragem de se matar. Ostentava fraqueza ao lado do vidro de Prozac.

Eram assim, lindos e tristes, ciosos de uma causa nobre e justa. Um brincava de guerreiro medieval, outra de Rapunzel. Chorava de si no alto de uma torre de marfim.

Ela

Ela veio de uma luz elétrica e vários pontos quadriculados formaram uma figura antes do piscar. Bela. Hesitei.

Num segundo a luz e o som se fundiram numa angústia do não-ter. Pronto, estava de novo naquela estrada que não leva a lugar algum, mas onde se pára em alguma margem para gozar. E o quanto desejou compartilhar desse gozo com essa figura, esse perfume digital que ressaltava das formas suaves e dissimuladas, pensou em quantos homens morreram e renasceram só de vislumbrar essa possibilidade. Quanto maior a multidão de homens sentia ao seu redor, mais muçulmano na meca se sentia, mas numa meca bizarra, a adorar uma deusa pagã, de mil bocetas e seios, uma imagem irrepresentável pelo escultor, o cheiro mais doce dos incensos desse mundo. E a vida sem ela agora não passava de bossa nova, menino de calças compradas no alfaiate vendo a bela dona rica passar.

Sua mão segurava o falo imaginado. A potência máxima a se oferecer para ser devorado em suas entranhas lubrificadas. Via uma face …
Tinha de ser sempre assim, um ciclo de dor e luz, a iluminação das causas criadas, com o intuito de se traçar um caminho até algum abcesso moral e psicológico que nunca chegara.

Tinha de ser a dor, o lamento, a perda do que nem chegou a se conquistar, a lamúria, a menos valia, o rancor dos felizes, o ranger de dentes, o chicote sobre até o que lhe salva, para um dia surgir uma esperança de sair do front sem levar uma bala. Tímida, cambaleante menina que ganha um vestido de chita de natal.

Odeio ser assim sendo. E sigo torturosamente a agrura de se ver todos os dias de uma câmera. Observar, castigar, punir, inativar-se, tornar-se frio, seco, estéril e desprognosticado. Diminuir os movimentos de todas as moléculas de meu corpo, a ponto de chegar ao zero absoluto, e se os senhores de indagarem porque o escritor não irrompe o silêncio com uma bala da cabeça este dirá que somente a vida em seus anseios mais insondáveis insiste em pulsar. A vida, enquanto palavra descarnada se apega a algum…

o dono da palavra

Quem detém o direito de dizer as palavras? Aleatoriamente, aléias de palavras se alinham frente ao cortejo de uma dor. Mas um dia alguém ridicularizou o cortejo de uma dor pomposa, imperial, e se entregou aos caprichos de uma puta insofismável no porto onde não se vislumbra mais nada além do mar. Puta dor. A existência perdeu sua coroa, cravada de Platãos, Aristóteles e Paulos, Agostinhos e Manilli. E vergonhosamente o poeta se orgulha de citá-los, pois hoje os jeitinhos alcançaram seu posto ao lado da filosofia e da poesia, e flertam-se assumidamente. A confusão entre jujubas rock e tartes de minuetos.

Sustentando as vísceras remexidas com a última verdade, continuo a escrever com alguma persistência, calcada na esperança de que o sustentar de um lento gozo é possível. Espero o aplauso passivamente, e dolorosamente sei residir nessa expectativa o recomeço de um lento ciclo da purificação de um brâmane que vê a miséria do alto de sua murada. De vislumbrar todos os gozos possíveis, até …