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Mostrando postagens de Agosto, 2005

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Pensou nos dias de seus pais, em um instante eternizado ritalee cantava "pra onde eu vou..." e as pessoas eram felizes, mas havia a angústia da morte sondando a todos, e os risos tornavam-se debilóides, um rir sem razão, frente a um medo infantil do desconhecido. O riso sugeria, vamos comprar um doce na esquina e entrar em decomposição, diziam as calças boca-de-sino, os cortes de cabelo, as ilusões sem pé nem cabeça, o infeliz cantando "segura na mão de deus e vaaaai"...

A travessia começou. A música batia na mesma tecla, "pra onde eu vou", pra onde eu vou, pra onde eu vou, lembrou da travessia dos heróis mitológicos, mas era simplesmente a travessia rotineira da baía, entre duas cidades banais.

Sozinho com seu irmão ao lado, restava um debilóide, um aleijado mental do qual se condoía, chorava pelos cantos miserável de si. Chorava de si. Vazio vazio vazio.

leveza plúmbea

Chega a hora da verdade. Mostre sua vontade, corra um risco tremendo. Sua posição, seu sim, seu não, encrava nos desejos de uns, despedaça os dos outros. Ouça-os claramente. Ouviu? Agora grite, torne sua alma surda. Grite até chegar naquele limiar em que a voz vacila.

Após a esporralha (neologismo?..), um silêncio denso de um cansaço profundo, sorriso cansado, a fronte se move como as sombras no dissipar das nuvens, ao emergir o sol.

Demorou tanto para ser... um imenso vazio me apetece. A partir de hoje farei o quê? Decidiu comer os dias tal qual as lagartas comem as folhas, da mesma forma que as formigas as carregam, leveza plúmbea. Relógio de sol, sinal estático de movimento.