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Aprendendo a escolher

Desde criança eu tinha a resposta automática de ser médico quando crescer.

É claro que as escolhas de uma criança tendem a mudança, pela sua impossibilidade. Eu também falava que queria ser maquinista de metrô. Do mesmo modo, acredito que a criança que queria ser médico não é o mesmo rapaz que ingressou, com 19 anos, na Faculdade de Medicina.

Com onze anos de idade, antes de escolher essa carreira, eu comecei a desenhar. Com dezessete anos, em vias de ingressar no primeiro vestibular, tive muita dúvida entre desenho industrial (pois tinha descoberto as maravilhas do designer) e medicina. Meus pais me presentearam com a liberdade e o apoio na carreira que escolhesse, presente este que veio numa caixa de Pandora, porque ao ser aberto, revelou que todas as dúvidas decorrem de mim mesmo, e não por pressão de outrem.

Ao me perguntarem se uma pessoa deve ter sempre certeza do que faz, diria que isso é impossível. De fato, assim como ser maquinista de metrô, estar sempre certo é uma impossibilidade. E o jovem pode ficar mais desesperado ainda quando perceber que a incerteza alcança as escolhas mais básicas da vida. Durante aproximadamente quinze anos escondemos nossas incertezas atrás de uma formação única, homogênea, do primário e ensino médio. Essa formação dentro dos muros de um colégio nos traz uma sensação de tranquilidade facilmente dissolvida, tal qual uma ovelha no pasto à espera da tosquia.

Acredito que deveria ser desenvolvida a capacidade de escolha de uma criança a partir do pré-escolar. Essa é a principal lacuna do sistema educacional: ninguém pergunta o que a criança quer, portanto ela não tem o que decidir. É muito fácil confundir escolha com bagunça, porque é difícil entender algo que não experimentamos. Só temos a oportunidade de escolher em nosso tempo livre, daí associarmos escolha à folga. Também creio eu que tal capacidade não implica em especializar a criança a partir do preliminar. O que denuncio são os fantasmas de um suposto bem de uma formação abrangente nos quinze anos de formação psicológica mais críticos de nossa vida.

O artigo é inconclusivo por si só e por mim, que já perdi a vontade de escrevê-lo

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