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Mostrando postagens de Julho, 2005

As minguadas oportunidades de inclusão digital do escritor do blog

Realmente, o título é uma denúncia de um garoto de classe média aos maus tratos a que a exclusão digital lhe relega! Um ultraje!

Brincadeiras e mimos à parte, escrever nesse blog é uma oportunidade de ouro. É muito difícil achar um computador vazio na faculdade, no qual você possa entrar sem a culpa de tirar a oportunidade de alguém que poderia estar precisando dele, para fazer um trabalho ou uma pesquisa de internet. Aí você descobre os privilégios de ser monitor. Isto porque, se você tem um departamento com dois computadores razoáveis, e geralmente vazios, pode se deliciar com a tentadora oportunidade sempre a um andar de distância de sua sala de aula...

Mas as coisas não são como parecem. Existem períodos em que o departamento lota, as reuniões de pesquisa preenchem as salas - e os computadores... Você, que criou um afeto e um costume de visitar a máquina regularmente, precisa controlar seu ciúme, e aceitar que as pessoas fazem coisas nele mais úteis que seu blog - ou seu emulador de…

bloqueios mostram que você não é escritor!

Todos possuem geralmente uma sensação de não dispor de grandes idéias quando tem a oportunidade de desfrutar por um breve instante dos meios de criá-las. O inconsciente é safado.

Comigo não é diferente. Tenho idéias e sensações que gostaria de exprimir aqui. Cadê elas quando sento na frente do computador da faculdade?

Ai, minha linguagem tá muito como-era-antes.

Todavia, pensei agora numa idéia interessante para post. Publicá-la-ei num tópico à parte.

bitelo

Agora o blog vai ser psicoléxico de verdade. Vocês terão acesso ao vernáculo familiar obscuro da família Tinoco.

O verbete "bitelo" designa uma qualidade de comer muito, ou de se mostrar aproveitador de uma situação, não necessariamente desonesta. Se você visita tia Mariquinha e come grande parte da tigela de bolinhos de chuva oferecida por ela, pode vociferar, brincando:

-BITELO! Tá gostando dos bolinho!

Então perpassa em "bitelo" o oportunismo bem recebido, pois a tia se alegra em lhe fazer um agradinho (isto é, se ela lhe espera...) e você tem um verdadeiro tesão bucal em devorar os bolinhos de chuva.

A princípio, eu relacionava "bitelo" ao oportunismo instintivo, pois em todas as situações que eu escutara tal verbete, ele fazia menção a comida ou ao sono. Depois perebi que bitelo, sem dúvida, sempre tende ao oportunismo, mesmo que indiretamente você o realize visando a agraciação instintiva.

BITELO!

Data da reformulação do blog

Esse blog já foi todo desconjuntado e agora está do jeito que eu quero. Sua reformulação deu-se no dia do post "muda, não semente", às 11:45 am. Horário de sol na casa dez pode dar certo, hein?! (depois eu explico).

Agora ele é verde e se assumiu como diário, embora um diário público é a última coisa que faria. É "diário" porque reflete algumas coisas que pensei durante a semana, e como "semanário" fica estranho, resolvo com "diário".

É verde porque "green is the color". Essa não vou explicar, tem que conhecer pink floyd...

(color ou colour? Gente, esqueci!)

medinhos e medões

tenho o medinho do leitor tomar algumas coisas que escrevo como ridículas. De fato, proteger-me disso não implica que o leitor possa vir a achá-las.

Por isso que algumas pessoas se protegem gritando um FODA-SE sonoro a tudo e a todos.

Meu medão? Não tenho nenhum pra compartilhar assim, agora... Te conheço!?

A autópsia da múmia

É o nome de um programa do Canal Discovery.
Nele você pode assistir coisas do gênero: "Esta múmia viveu em 250 d.C. porque o Carbono 14 vaticinou".
Eu escuto veredictos como esse todos os dias. "Esse tumor é um ependinoma porque a sinaptofisina é positiva." Entendeu?
Isso, na linguagem da verdade de Enéas, semiótico inveterado, representa: Calma, a ciência nos dá certeza que é assim, então foi assim que aconteceu. Pode ficar tranqüilo.

Variações:

"Calma, Deus está conosco"
"Calma, temos seguro de vida"
"Calma, temos plano de saúde"
"Calma, moramos nas montanhas" (em caso de onda gigante do estilo "impacto profundo")
"Calma, eu uso camisinha"
"Calma, temos um lençol freático" (caso a água acabe)

toddynho

Um sensação lhe inunda a boca. Leite. Apreciar o gosto longo do leite. O tato do pálato é todo coberto em sua extensão, o leite o cobre maternalmente para então espremer-se entre fossas abaixo da língua que lhe recebem plenas de dor. A dor das glândulas esguichando saliva. O doce e o amargo, como dizia Secos e Molhados, indistintamente. E o todynho se esvai como quem chega, mas seu mascote continua sorrindo pra mim na caixa já amassada. Bombeio os últimos goles do néctar e sinto-o areado pela pressão. O todinho acabou e não quero aceitar.

pimenta fugidia

Criam a criança, criam santidade
Sugando a gana triste da Trindade.

Calavas em vão nos vãos da porta
Espiando a festa entre as frestas

E aumentava o tédio do veneno
E a menta lhe esfriava a garganta
Da pimenta fugidia deglutida

(Se você soubesse que sou à beça)

muda, não semente

Prefiro muda, porque semente soa você-mente.

O blog cresceu,está verde-jante. Jante o manjar do cale-se, se o calar é ouvido vide a palavras que lavras dessa canja!

a sinopse é pequena e a postagem biônica, porque automática, sem devaneios. o blog é psicoléxico porque devaneios exigem a presença da lucidez para jogálas nas fossas obscuras da inquisição lingüística.

Um beijo a todososamigosdopeitoquelêemesteblog

Prometo poesias. Prometo raiva da donzela pragmática que amo. Pró-meto, prenuncio antes de meter.

Espero que esse blog seja uma gostosa trepada.

diálogo com o leitor

Gostaria de deixar aqui meu e-mail para que o leitor possa se corresponder comigo de um modo mais eficiente, já que os posts não podem ser comentados no momento.

Enquanto tento resolver esse problema pela terceira vez vocês podem mandar e-mails para dialogarem comigo no endereço

plantaleao@yahoo.com.br

Espero que usufruam do espaço para réplicas, críticas e elogios, que me farão muito bem, obrigado.

Aprendendo a escolher

Desde criança eu tinha a resposta automática de ser médico quando crescer.

É claro que as escolhas de uma criança tendem a mudança, pela sua impossibilidade. Eu também falava que queria ser maquinista de metrô. Do mesmo modo, acredito que a criança que queria ser médico não é o mesmo rapaz que ingressou, com 19 anos, na Faculdade de Medicina.

Com onze anos de idade, antes de escolher essa carreira, eu comecei a desenhar. Com dezessete anos, em vias de ingressar no primeiro vestibular, tive muita dúvida entre desenho industrial (pois tinha descoberto as maravilhas do designer) e medicina. Meus pais me presentearam com a liberdade e o apoio na carreira que escolhesse, presente este que veio numa caixa de Pandora, porque ao ser aberto, revelou que todas as dúvidas decorrem de mim mesmo, e não por pressão de outrem.

Ao me perguntarem se uma pessoa deve ter sempre certeza do que faz, diria que isso é impossível. De fato, assim como ser maquinista de metrô, estar sempre certo é uma impossibili…