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Mostrando postagens de Junho, 2005

A ocidentalização do Mangá

Paira sobre alguns desenhistas brasileiros a crença de que a anatomia dos personagens de mangá reflete o biotipo da mulher e do homem japonês. Eu concordo em parte com essa afirmação, porque para que o leitor se identifique com a história você precisa recriar a figura do "homem comum", que represente as angústias e alegrias de seu país, sua geração, faixa etária ou de quem tem um problema, seja ele social, sexual, ou de saúde.
Na criação desse homem comum, estabelece-se um biotipo e uma indumentária peculiar, que reflita o grupo do qual ele pertence.

Como exemplo do que foi exposto podemos citar keitarô, o protagonista de Love Hina, que tem as características típicas da figura construída do japonês adulto jovem: franzino, cabelos lisos, óculos grandes e retangulares, roupas em tom pastel, geralmente calça e camisetas com ou em estampas.

Apesar de se buscar essa identificação, a cultura japonesa entra em interseção com culturas estrangeiras, estabelecendo uma teia de opções que…

Eu desenho Mangá

Tudo que li de astrologia até hoje eu posso jogar fora. A cabeça muda, os hábitos e livros idem. Persiste, contudo, uma idéia fixa de, através dos elementos esotéricos que disponho, criar um roteiro de mangá. Neste texto vou falar um pouco da minha visão sobre esse estilo. Gosto muito de mangá; não sei se deixo isso transparecer em meus escritos. Sempre desenhei dessa forma. É a coisa simples mais difícil que já fiz. Um mangá engana muito quem o assiste, pois à primeira vista os desenhos são simples. Quem se embrenha por esse estilo chega a uma conclusão diferente. É muito tênue a diferença entre um braço sinuoso, bonito, esguio, e outro com saliências que não existem, com um traço espesso, feio às retinas. Há quem diga que devemos perceber as formas ao nosso redor para desenharmos bem. Pois eu lhes digo que o mangá em alguns momentos faz o olhar do observador aceitar piamente formas não humanas. A escola da observação dá lugar, após anos de aprendizado, a um estilo próprio que, mais ev…

falando ao leitor

Tantas coisas percebo ao meu redor... Gostaria de levar meu blog pendurado no pescoço. Também gostaria de poder ouvir meus leitores. Aos seis que seguramente já leram este blog (deixe-me ver... Marina, Regina, PH, Giselle, Clarissa, Camila...) peço desculpas por não conseguir efetuar uma maneira de permitir comentários. Só tenho a dizer não depende mais de mim. Críticas, desde que não massacrantes, são bem-vindas. Não quero definir critérios de massacre. Acho o grupo de leitores homogêneo o bastante para crer que as críticas serão bem construtivas. Criticar é melhor que construir? Os dois são bem legais.

encargos dessa vida

Estou em uma fase de integração à faculdade nunca dantes vista. Só houve algo parecido no primeiro período, no qual, após sucessivas desilusões com a falta de praticidade das questões levantadas em aula, me sentia completamente desanimado, inclusive a montar um C.R. decente, que é construído mais facilmente nos primeiros períodos. Entretanto, isso não basta. Por mais que os professores percebam seu interesse, sua nota reflete o quanto você se lembra dos conceitos, em quantidade suficiente para tirar 6,0 ou mais em prova. O fato é que, após vários dias sem ter tocado em um livro não-didático de minha preferência, por ter estudado para duas provas, estou a poucos dias de uma prova de endocrinologia, teclando nesse blog. E tenho que estudar. Poucas coisas são justas nessa vida quando somos imediatistas, eu sei. p.s.: aos eventuais leitores da medicina: o cr só serve pra você não fazer aquele internato eletivo que você queria, ou ficar atrás na lista dos melhores plantões. Não se preocupem co…

meu amigo otimista

Você, que vive despretensiosamente, com calma, sem fazer alarde, deve ter um amigo como o meu, que passa por coisas que ele acha dificílimas, que são um sacrifício, etc. e tal. Ele gosta de falar daquele jeito "meudeusdocéu como sofro nessa faculdade" quase deve gozar com isso, principalmente diante de três ou mais pessoas que são do mesmo período que o dele. Os enforcados morrem suspensos.

Só teremos perspectiva de mercado cinco anos depois de formados, que médico é como sal, barato e tem em qualquer lugar, cinquenta e tantos por cento dos médicos se concentram no Sudeste, a residência tem de fazer 60 horas por semana, você ganha R$ 1.440 mas isso é uma ajuda de custo que não passa pelas leis trabalhistas, a solução é ir para o interior mas eles te prometem um salário de R$ 30.000 e você não recebe, enfim, um martírio.

Quão humilde é o médico! Desprovido de ambições e paixões, luta duro, na lida do dia-dia, despretensiosamente, apenas pelo prazer de ajudar o próximo! Oh! Bra…

o desterro sombrio da alma

Em seus sonhos repetitivos, permanecia a idéia de perseguição. Mas ele tinha exata certeza do tipo de perseguição que insistia, pegajosa. Não a idéia elaborada e fantasiosa das paranóias, mas uma constante autocrítica que sonda até as inescrutáveis extensões da vida; cada gesto, cada frase, cada olhar, cada pensamento, cada escrito, tudo passava em revista por essa voz superior, solene, masculina, que imperava sobre ele e lhe ditava sua sentença milimétrica e paradoxal: ora elogios calorosos que lhe transbordavam e lhe ditavam os passos de uma fanfarra maníaca, ora abismos de culpa, onde sabia que homem algum chegara antes, uma dimensão solitária e angustiante, no desterro sombrio da alma.