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Plantaleão e os plantões

Estou vivendo uma tensão que deveria inexistir.
O ser humano cria seus problemas. Uma dualidade pode ser criada, para então ser sentida como um problema. Entidades podem ser conflituosas para uns e cooperantes para outros. Basta constituir uma situação como tal.
Fazer um plantão sábado ou em qualquer dia da semana não deveria ser sentido como algo que impeça o estudo na mesma hora, porque nessas horas eu não costumo estudar!
Mas essa é a questão! Eu deveria aproveitar! Eu deveria me lançar àquilo com o sabor da novidade, ler cada caso a fim de procurar a doença referida no livro de clínica médica, mas minha perspectiva só faz encontrar problemas, criar impedimentos, sentir náuseas com os pacientes mal-cheirosos (tenho de admitir isso, por mais triste que seja)...
Será que no fundo odeio os plantões? De outra forma não sentiria essa náusea que me abate quando penso que tenho de ir a um deles. Simplesmente porque sei que não encontrarei nada lá. E, se encontrar, não saberei aproveitar, pelas questões já citadas.
Mas não é só isso. Se continuo a freqüentá-los, mais que a obrigação da presença, é o prazer que sinto algumas vezes de libertar as pessoas das amarras do sistema de saúde pública, o prazer de acelerar a alta de um paciente são, isso me é motivo de júbilo. Não é alegria, posto que é sereno e silencioso, eu só posso chamar de júbilo. Quando posso agir sem depender de decisões médicas, tenho muito prazer. Esse lado complica mais ainda a minha decisão interna: desgosto do plantão por que ele me mostra minha ignorância? Minha impotência?
Falta discorrer mais sobre a medicina, mas agora preciso ir a uma aula.
Uma boa semana a todos.

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