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Obrigado a viver

Existe a ditadura da vida.

Ninguém pergunta a um paciente se ele quer viver ou não. Está implícito, diriam aqueles que acham essa uma pergunta absurda.

A vontade de viver se constitui atualmente como sagrada. Parece o último dogma cristão ossificado em uma sociedade que tenta emergir de um passado recente onde a igreja, com suas mãos insidiosas, manipulava as decisões do estado, no que tange à ética.

A morte é evitada, e aqueles que a defendem são considerados os responsáveis por uma hipotética hecatombe da raça humana, posto que, caso se infrinja esses "estatutos essenciais", a espécie homo sapiens sapiens não se fiará em mais nada racional, ficando à mercê de sentimentos de ira ou vingança. Como se a ética da vida, testamentada a todos e acessível até mesmo em conversas informais, de tão impregnada que está nas mentes, fosse de fato unânime.

Acho que deveríamos dar o direito de morrer a todos que assim a desejam. A morte é usada como indicador de incompetência da sociedade, do estado, e dos antidepressivos, mas não é dessa morte que estou falando.

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